Ontem, por esta hora, estava convicto de que hoje iria à Luz ver o meu Benfica. Engano meu, é o que dá confiar em amigos trapaceiros que nos prometem bilhetes e depois desculpam-se por telefone, pois nem têm a coragem de dar a cara. O tal amigo trapaceiro disse-me qualquer coisa como: "Ah, afinal não vai dar porque o meu sogro pediu-me para ir comigo e eu não consegui dizer-lhe que não. Para desfeitear o homem já chega andar a comer-lhe a filha.", e riu-se da própria piada, parvamente. Eu respondi-lhe, sem corresponder à risada: "Não há problema, um dia destes convido-te eu para qualquer coisa. Mas tu vais mesmo comigo, para te desfeitear já chega andar a comer a tua irmã." Dito isto, desliguei a chamada.
Acabei por ver o jogo em casa (finalmente um jogo do Benfica em sinal aberto), e o que vi e ouvi foi isto:
- Uma cambada de cepos vindos da Escócia, que mesmo sem jogarem um cu e passando o jogo quase todo metidos no seu meio-campo, nos iam lixando definitivamente as contas do apuramento. Assim ainda podemos sonhar com uma vitória em Camp Nou, desde que não joguem Iniesta, Xavi, Messi e Bruno César;
- Salvio em grande, Enzo Pérez em grande (o que corre, aquele homem!), Ola John e Lima em plano bastante razoável, Luisão a comandar lá atrás e a assistir lá à frente o companheiro de posição, também ele muito consistente (desculpa Jardel, muito embora tenhas cumprido durante a ausência da careca mais feia do futebol português, não tens como te impor no meio daquela dupla, a não ser quando o Jesus se lembra de recuar, quando ainda estamos a criar perigo na área adversária);
- Um indivíduo, com um grau de deficiência bastante evoluído, fazer rebentar um petardo, sendo depois, e muito bem, assobiado por grande parte dos adeptos presentes no estádio. E escrevo grande parte porque temo que junto dele estivessem outros indivíduos com graus de deficiência análogos.