Começou, ontem, a 83ª edição da Feira do Livro de Lisboa e eu, obviamente, quero ver se lá dou um salto. Desde há alguns anos a esta parte desenvolvi este hábito, ou antes ritual, de me deslocar ao Parque Eduardo VII, passear-me durante uma ou duas horas por aquela ocasional conjugação de folhas arbóreas e folhas livrescas, comer uma fartura ou um gelado, beber um café ou uma imperial, e desembolsar consideráveis maquias em palavras alheias que passam a ser um pouco minhas, também.
Na edição do ano passado, se a matemática não me falha, a 82ª, recordo-me de chegar ao Marquês de Pombal já aviado com um pequeno saco contendo dois ou três grandes livros. Cruzei-me então com um antigo colega de escola, muito mais robusto fisicamente do que ao nível cognitivo. Depois dos costumados cumprimentos ele disse-me, sorridente: "Fostes comprar livros, não é? Continuas com a mania de que és intelectual, está visto..."
A esta interpelação eu respondi do seguinte modo:
- "Repara, se eu, efectivamente, tivesse a mania que sou intelectual, sugerir-te-ia agora que, de modo célere e resoluto, encetassses a subida desta alameda, prenhe de cultura e saber, e que ao lograres alcançar o topo da mesma sentasses o teu hediondo traseiro na escultura fálica com que João Cutileiro pretendeu assinalar os 25 anos comemorativos da revolução dos cravos. Não tendo eu essa mania, mando-te apenas e só para o caralho!"
Depois desatei a correr Avenida Fontes Pereira de Melo acima, porque levar sopapos no focinho é algo de que não retiro especial prazer.
Mostrar mensagens com a etiqueta Juvenal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Juvenal. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Macacos-narigudos e outros macacos
São apenas dois os assuntos que aqui me trazem hoje. Coloquemo-los por ordem cronológica invertida (primeiro o que aconteceu em último lugar e em último lugar o que ocorreu primeiramente):
1) Ontem, pouco depois de virar dois pratos de empadão de atum, pus-me a ver, na RTP2, a recta final de um programa sobre a fauna da ilha do Bornéu. Parece que, devido ao peculiar clima e a outras especificidades ambientais daquela região, são comuns alterações morfológicas nas mais diversas espécies. Por exemplo, parece ser comum encontrar-se ali um escaravelho gigante ou um elefante pigmeu. Porém, para além desses animais mutantes, qualquer ambiente florestal que se preze requer macacos a saltitar pelos galhos das suas árvores. Apareceram, então, uns quantos macacos-narigudos, bichos castiços mas, infelizmente, em vias de extinção. Quase no final do programa, uma primatologista, de invulgar beleza para aquelas andanças, refira-se, afirmou, peremptoriamente, que quanto maior for a penca dos machos, maior será a atracção que as fêmeas por eles sentem. Se o Júlio Isidro tiver visto o mesmo programa deve ter maldito a sua sorte por as mulheres não pensarem da mesma forma que as macacas-narigudas.
2) Por falar em macacos, também ontem, antes do empadão, recebi este SMS no meu telemóvel: "Andaste a meter com a melher dos otros, pode ser k ainda teinhas azar na vida, meu cabrão!!! Se te apanhu vais a ver!!!". Importa aqui referir que eu não conheço o remetente daquele conjunto de "palavras", mas consegui depreender o tom ameaçador com que se me dirigiu. Contudo, não estou seguro de o ter compreendido plenamente. Se alguém tiver algumas noções de escrita paleolítica, eu agradeço a ajuda. Espero, entretanto, que não seja algum macaco de nariz pequeno, todo cioso da sua fêmea. Porque, na minha óptica, todos os homens que amam verdadeiramente as respectivas mulheres, deveriam proceder com elas como procedem com uma boa publicação do facebook: se gostam, devem partilhar!
sábado, 27 de abril de 2013
Transportes (demasiado) públicos
Já há algum tempo que não andava de transportes públicos com a frequência que tenho andado no último par de meses. Não me parece que o porquê dessa mudança de hábitos seja da vossa conta, no entanto, façam as conjecturas que bem entenderem, pois estou-me bem a cagar para isso. Pode, muito bem, ser porque não me apetece contribuir regularmente para o enriquecimento das gasolineiras, ou porque não tenho meios financeiros para contribuir regularmente para o enriquecimento das gasolineiras. Pode, também, sê-lo porque não tenho, sequer, veículo próprio ou carta de condução. Pode, outrossim, dever-se ao facto de até há dois meses atrás eu mais não fazer do que ficar no conforto do lar a coçar este valente par de tomates que é o meu, sobrevivendo às custas da Segurança Social, e agora, acabado o subsidio, ver-me forçado a alancar num restaurante, café ou estabelecimento afim. Ou pode, simplesmente, acontecer porque gosto de me embrenhar entre a comum das gentes, ora tentando escutar diálogos obtusos entre intervenientes menos esclarecidos, ora tentando escutar monólogos oclusos de um ou outro chanfrado, ora tentando observar comportamentos estranhos, manias, tiques nervosos, e perante tudo isso, regozijar-me por, afinal, reparar que não bato tão mal do penico quanto julgava.
Ontem, em plena carruagem do Metro, ditou a sorte madrasta, que se sentasse à minha frente um monhé (a atirar mais para o paquistanês do que para o indiano, mas com similar bedum a caril). Trazia um turbante na tola, que lhe conferia, à vontade, mais meio metro de altura, exibia farfalhuda barba branca, olhos negros e penetrantes, suava em bica, murmurava imperceptivelmente e trazia um saco suspeito dependurado do braço esquerdo. Múltiplos e estridentes alarmes soaram, de imediato, na minha cabeça e saí dali a correr, disparado. Se o paquistanês rebentou com a carruagem, e com quantos iam nela, não sei, ainda não vi nenhum noticiário desde então. Mas sei que eu estou a escrever este texto, todo inteiriço, pois sou muito mais apologista do mais vale prevenir do que remediar, do que do depois de casa roubada, trancas à porta.
Transporte alternativo ao Metro? Autocarro, ora pois. Rapariguita nova, vulgarmente designada por pita, entra na paragem posterior àquela em que entrei e senta-se no lugar defronte àquele em que o meu distinto rabo assentava. Falava, ou antes, gritava ao telemóvel. Do que a interlocutora dizia do outro lado não pude, obviamente, ter certezas, mas a minha companheira de viagem expelia, boca fora, alarvidades desta espécie, entremeadas com um riso particularmente irritante: "Fostes à festa, ontem?"; "Ina, encontrastes o Nélson? Tipo, o gajo é alto pão, né?"; "Há-des me dizer porque é que não me convidastes, sua porca!"; "Iá, fui ao Mac. Almocei alta Big Mac e McFlurry"
Não fosse o elevadíssimo apreço que nutro pelo segundo tomo do Dom Quixote de la Mancha, edição de coleccionador em capa dura, e juro que ela, para além do Big Mac e do McFlurry, tinha almoçado com ele nos cornos.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
EQM
Muitos dos poucos leitores que aqui vêm com alguma regularidade têm-me apontado o dedo, no mais das vezes em mensagens privadas. Talvez não tanto a mim, mas mais ao teor do que escrevo. Dizem eles que para além de escatologia, violência explícita e sexualidade pura e dura, pouco mais se pode extrair do meu solo textual. Fosse eu mais dado a beligerâncias, como fui em primaveras passadas, sugerir-lhes-ia que pegassem nesses dedos que me apontam e os enfiassem bem no meio dos respectivos cagueiros. Porém, estou a tentar tornar-me numa pessoa melhor e, como tal, tenho tendido a gerir melhor os meus acessos de fúria.
Como prova disso mesmo, nas linhas que se seguem, tentarei manter-me afastado dessas temáticas, ainda que, em minha defesa e em defesa das ideias que pretendo perpassar, me sinta na obrigação de atalhar que, geralmente, onde os leitores vêem escatologia, eu vejo fezes e flatulências eufemísticas, onde detectam violência explícita, eu detecto socos e pontapés metafóricos, onde vislumbram sexualidade pura e dura, eu vislumbro pénis e vaginas metonímicos. Ou, talvez aí, também vislumbre sexualidade pura e dura, não sei ao certo.
Mas adiante porque, como em tempos ficou escrito, o caminho faz-se caminhando. Na próxima quinta-feira, o programa televisivo Linha da Frente, que passa na, por enquanto, televisão pública, abordará o tema das Experiências de Quase Morte (doravante designadas como EQM). Por mais macabro que isto possa parecer, este é um assunto que sempre me fascinou. As pessoas que vivem (ou quase morrem) estas experiências verão, ipsis verbis, uma luz branca muito intensa? Sentirão, de facto, como que uma separação entre corpo e alma? Verão, efectivamente, os momentos mais marcantes das suas vidas passar-lhes diante dos olhos, numa espécie de flashback acelerado? Há toda uma névoa a encobrir as EQM. Nem médicos, nem cientistas, nem sequer espiritualistas são capazes de dar respostas definitivas e esclarecedoras a este respeito. Tudo o que sabemos é o que a malta que quase patina nos conta quando melhora, mas essa malta pode muito bem não passar de uma cambada de embusteiros. A título de exemplo reparem no actual governo da nossa república, após a recente decisão do TC todos o davam como morto, mas ele estrebuchou veementemente e aí está, de novo, a tentar comer-nos por parvos.
No que me diz respeito, certa vez estive bastante próximo de obter algumas respostas cabais sobre as EQM. Aconteceu quando um grande amigo meu, merecedor da minha total confiança, sofreu um gravíssimo acidente de viação. Os médicos já o davam como clinicamente morto, mas ele voltou à vida e ao pleno uso das suas capacidades cognitivas, depois de ter estado nesse processo límbico. Ao saber disso, corri de imediato até ao Santa Maria na expectativa de saber da boca dele aquilo que havia experienciado durante a sua EQM, e ele faz-me uma das piores desfeitas de que tenho memória, morrendo-me ali, perene e definitivamente, sem sequer me dizer uma palavra. Hoje já consigo perdoá-lo, e como dizem as beatas, que Deus o tenha em paz e descanso, mas na altura fiquei tremendamente sentido com aquilo, saí dali disparado sem dar as minhas condolências à família, e nem sequer pus os pés no velório ou funeral.
Estão contentes agora, os mais pudicos? Nestes dois últimos parágrafos mantive-me fiel ao que me propus: não há escatologia (ou melhor, até há, mas na outra acepção do termo que não a dos excrementos), não há violência (pelo menos explícita) e não há o mínimo vestígio de sexualidade (mas só aqui no texto, porque ali nos meus lençóis já não garanto que amen).
segunda-feira, 1 de abril de 2013
I love...
Antes de tudo o mais, uma elucidativa nota prévia: é dia das mentiras mas, no que vos vou contar, garanto não haver o mínimo vislumbre de ficção.
Há coisa de duas ou três horas, passeava eu a minha incomensurável beleza pelas olisiponenses ruas, e cruzei-me com uma mocinha que em termos de idade não ultrapassaria, garantidamente, os dezoito, dezanove anos. Trajava, a dita, umas calças justas, uma camisola de capuz, uns ténis de cores estonteantes e tinha o cabelo entrançado, à laia de uma Lara Croft ou Pipi das Meias Altas. De toda essa indumentária, uma só coisa reteve a minha atenção por mais tempo do que o estritamente necessário nestas circunstâncias e, por incrível que pareça, não foram os ténis multicolores. Estarão, com toda a certeza, familiarizados com t-shirts e camisolas exibindo mensagens do género: "I love NY"; "I love myself"; "I love cerveja"; "I love acids"; "I love chocolate" e por aí fora, sendo que, em praticamente todas elas a partícula "love" se substitui por um coração bem avermelhado. Não raramente, como, aliás, poderão verificar pelos exemplos que acima dei, ocorre misturarem-se, nestas peças de vestuário, a linguagem simbólica do coração, o idioma de Shakespeare e a veneranda língua de Camões.
Ora, como já perceberam, caso não sejam estúpidos, aquilo que mais me estupefez naquele recontro, foi a mensagem que a camisola de capuz ostentava. Infelizmente, não consegui perceber bem a primeira letra da palavra que vinha a seguir ao coração, dada a rapidez com que se deu o meu cruzamento com a rapariga e dado que, do ângulo de visão que me calhou em sorte, a letra se encontrava parcialmente encoberta pelo considerável volume mamário da rapariga. Ainda assim, percebi tratar-se de um B ou de um R. Quanto às restantes letras dessa palavra, não me assaltaram quaisquer dúvidas: eram, claramente, duas vogais escoltadas por duas consoantes formando, em conjunto, um inconclusivo "icos". Mas, se lhes juntarmos o tal B ou o tal R, dissipa-se a névoa e ficamos com Bicos ou Ricos, respectivamente. Em suma, das duas uma: ou a miúda adora bicos, ou a miúda adora ricos. Qualquer uma das hipóteses é, para mim, desconcertante, mas, caso fosse a primeira, teria todo o gosto em dar vazão ao amor da moça. Já quanto à segunda hipótese, nada posso fazer, pois não passo de um mero assalariado sem perspectivas de enriquecimento, seja ele lícito ou, o tão português ilícito.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Dia mundial da poesia
Azevia
Sendo da poesia, o dia
e de lanchar, a hora,
vou comer uma azevia,
não mais logo, e sim agora.
"Azevia em pascal data?
Isso não é no Natal?"-
perguntas tu, vil primata,
tosco atrasado mental.
É no Natal, se eu quiser
ou na Páscoa se o achar.
A fome é minha mulher
e terei de a aplacar.
Tratada que está, consolada,
recosto-me, arroto e medito:
e agora uma canzanada,
eles a baterem no pito?
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Eusébio
Remexendo em gavetas e caixas fui dar com um vasto leque daquilo a que a Dona Ermelinda, minha professora no ensino básico, chamava de composições. Se bem me recordo, eram recorrentes as ocasiões em que ela nos pedia que escrevêssemos algumas linhas subordinadas a um tema da sua predilecção.
Feliz ou infelizmente, não me é possível reproduzir, aqui, as especificidades caligráficas (coisa abominável, essa de obrigar crianças a tais actos de tortura. Aquele "G" e aquele "H" não lembram a ninguém). Porém, vou reproduzir o conteúdo de um desses textos, mantendo-me fiel aos erros ortográficos, de acentuação e de pontuação. Sim, também os cometi. O caminho até à perfeição levou algum tempo a trilhar. Não esconderei, também, algumas falhas de discernimento, próprias em tão tenra idade. De qualquer forma já transparecem, nestas linhas, alguns laivos de apurado raciocínio lógico e, diria até, de uma genialidade latente.
O cão
A gente lá em casa tem um cão. Chama-se Eusébio como o jogador que jogava no Benfica e ganhou os campeonatos aquase todos em que entrou. Não percebo bem porque é que o meu pai pôs esse nome ao bicho, ele é daquela marca francesa com os pelos aos caracois, e a única coisa que tem preta é o focinho adonde o meu pai costuma amandar pimparotes até ele começar a espilrar. Mas de resto é todo branquinho e o Eusébio é preto e chutava a bola com mais força do que eu, mas quando eu for grande também vou chutar com força como ele, só que vou ser branco ou então cigano, porque o meu pai às vezes diz que eu sou filho de um cigano, mas na marternidade trocaram-me. O cão devia era de chamar-se Chalana porque é mais parecido com ele e também corre muito.
Uma vez fomos jantar à feira popular com os meus tios e o cão ficou sozinho em casa. Gostei muito dessa noite porque andei nos carrinhos de choque e na montanha russa. Só não gostei foi de ter vomitado fora o jantar depois da montanha russa. Mas ao fim do cabo acabou por ser giro na mesma, porque os meus primos, os meus tios, o meu pai e a minha irmã riram-se todos muinto e chamaram-me mariquinhas. Só a minha mãe é que não se riu-se e disse que eles eram todos umas bestas quaderadas. Depois fui andar nuns poneis que lá havia a andar às rodas e aquele em que eu estava começou a crescer-lhe a pilinha, até arrastar pelo chão. Riram-se todos outra vez e a minha mãe fez força para não se rir, mas não aguentou e riu-se também. Eu não fiquei chatiado com eles porque eles são da minha família e tenho de gostar deles, mas mais da minha mãe porque ela é que me faz a comida.
Mas esta composição é sobre o cão e não é sobre a feira popular. Quando chegámos a casa o cão tinha feito xixi pela cozinha toda. O meu pai ficou muinto furioso, pegou-lhe no pescoço e esfregou-lhe o focinho no xixi e depois foi a correr para a rua e esfregou-lhe o focinho no chão da rua. Ele diz que é para o cão aprender que tem de fazer xixi na rua e não na cozinha. Mas o cão deve de ser burro porque ontem fez xixi na cozinha outra vez.
Uma vez entrei no quarto da minha irmã mais velha e ela tinha o pipi todo bezuntado com tulicreme de avelâs e o Eusébio estava a lembê-lo. Ela tinha os olhos todos brancos e estava a respirar como se tivesse a correr, devia de estar cansada. Eu primeiro fiquei priocupado com ela mas depois ela viu-me e ficou toda vermelha como os tomates. Eu fiquei muinto triste e chatiado porque gosto de comer pão com tulicreme e assim já não havia mais. Ela pediu para eu não contar a ninguém e eu disse que não contava se ela me desse dinheiro para comprar um sekeite. Ela disse que não tinha mas que ia arranjar e depois arranjou não sei como. E eu agora é que vi que me esqueci do que prometi à minha irmã e estou a contar à senhora perssora Dona Ermelinda. Mas agora já está feito o mal porque isto está escrito a caneta e a senhora perssora Dona Ermelinda não gosta que a gente risque ou apague com aquelas borrachas azuis porque estragam o papel todo e fica feio. Deviam era de inventar uma tinta branca para a gente usar e depois escrever por cima quando secasse.
O Eusébio nunca mordeu a ninguém menos uma vez que mordeu ao carteiro, mas é bem feito porque o meu pai diz que o carteiro é do Sporting e só lhe trás cartas com contas para pagar e depois o meu pai tem menos dinheiro para me comprar brinquedos e carteiras de cromos.
O Marco é meu vizinho e tem um cão maior do que o meu e que se chama-se Golias e parece um cavalo. O Marco costuma montar-se em cima do Golias mas ao Golias nunca cresceu a pilinha como ao ponei da feira popular. Eu também gostava de montar o Golias, mas o Marco não me deixa. Mas não faz mal porque eu jogo futebol melhor do que ele e ele vai sempre à baliza. E uma vez dei um beijinho na boca da irmã dele e ele nunca deu um beijinho na boca da minha irmã porque ela gosta mais do Eusébio.
Quando chegar a casa vou fazer festas ao Eusébio e vou-lhe dizer-lhe que hoje escrevi uma composição sobre ele. Só que ele não deve perceber porque é estúpido e faz xixi na cozinha em vez de fazer na rua como o meu pai lhe ensinou.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Dia dos namorados
Quinta-feira passada, dia 14 de Fevereiro, dia dos namorados. Saio à rua, não chove. O sol vai, paulatinamente, enchendo o meu âmago de uma alegre felicidade e de uma feliz alegria, passe o duplo pleonasmo, que até vos deixou atordoados. Ao atravessar a estrada, em plena passadeira, reparo que tenho o atacador do meu ténis esquerdo desapertado. Agacho-me e aperto-o. O condutor de um automóvel branco, que parara para eu passar, acha o meu comportamento inusitado, quiçá abusivo e buzina. Sugiro-lhe que proceda à introdução da buzina na sua própria cavidade anal, e ao fazê-lo mostro-lhe o dedo médio da minha mão esquerda, num magnífico desdobramento de falanges. Numa atitude inteligente, ele não reage, preservando, desse modo, tantos dentes quantos tinha na boca. Passado esse breve momento de tensão, chego ao outro lado da estrada e digo para comigo: ora aí está um bom dia para ires comprar um ou dois pares de calças, pois todos os que tens estão a rasgar-se, e pela zona em que é, muito provavelmente deve-se ao volume de outro par que possuis desde que vieste a este mundo.
Assim o disse, assim o fiz: linha azul do metropolitano de Lisboa, Baixa-Chiado, Rua Augusta. Compro as calças, vou comer um gelado e começo a reparar nas hordas de gajos com ramos de flores na mão, com embrulhos, até mesmo com balões. Eu até compreendo as flores e os embrulhos, procurando cair nas graças da fêmea, para depois à noite ser mais fácil convencê-la de que o sémen faz bem à pele (neste capítulo, baseado na minha própria experiência deixo-vos um pequeno conselho: se ela for dermatologista, poupem-se ao esforço). Mas balões? Que género de gajo dá balões à namorada? Só se for o gajo que anda a varrer a Picolé.
A mim não me apanham em semelhantes figuras. Andar a gastar dinheiro em presentes para namoradas minhas? Já bem chega o dinheiro que lhes pago para elas me satisfazerem sexualmente, a somar ao que pago por quartos de pensões, residenciais e, de quando em quando, hotéis.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Bexigosa das finanças
Como bom cidadão que sou, tendo recebido uma missiva, algo intimidante, da parte da Autoridade Tributária, desloquei-me, hoje, à minha repartição de finanças com o intuito de regularizar a situação que, especificando, se resumia ao pagamento de uma coima.
A referida coima, no valor de 15€, devia-se ao atraso no pagamento do IUC de um veículo que em tempos foi meu, e do qual guardo boas recordações no que respeita à utilização do seu assento traseiro para actividades de cariz íntimo, ora em becos esconsos a altas horas da noite, ora em parques de estacionamento, em plena luz do dia, quando a líbido apertava.
Após uma hora e meia de espera, foi com estas mesmíssimas palavras que expliquei à senhora da repartição, abaixo designada como bexigosa, o assunto que ali me trazia. Vou reproduzir o diálogo de modo a imprimir maior vivacidade à coisa:
Eu - Boa tarde, caugh caugh bexigosa caugh caugh!
Bexigosa - Boa tarde!
Eu (segurando o papel em frente aos olhos da bexigosa e falando de forma rápida, como aqueles gajos nos anúncios publicitários quando falam em TAEG's, TANB's e o caralho a sete) - Então não é que recebi esta notificação lá em casa, onde se pode ler que eu tenho uma coima a pagar? (pausa para recuperar o fôlego) Coima essa relativa ao atraso no pagamento do IUC de um veículo que em tempos foi meu, e do qual guardo boas recordações no que respeita à utilização do seu assento traseiro para actividades de cariz íntimo, ora em becos esconsos a altas horas da noite, ora em parques de estacionamento, em plena luz do dia, quando a líbido apertava...
Bexigosa (sorrindo, retirando-me o papel das mãos com delicadeza, e consultando, posteriormente, o seu computador) - Com licença...pois é, Sr. Juvenal! Tem ocorrido este erro com vários contribuintes. Ao que parece o sistema está a duplicar a emissão deste género de notificações. O Sr. Juvenal já havia sido notificado em 2007, e pelo que me diz o sistema o valor em dívida já se encontra liquidado.
Eu - Sendo assim vim cá em vão, porque não tenho nada a pagar, não é verdade? (aqui apeteceu-me acrescentar: "e ainda por cima tive de olhar para as tuas fuças, que até já me está quase a sair o almoço pela boca fora, sua bexigosa de merda". Mas acabei por conseguir controlar nervos e vómito).
Bexigosa - Pois, lamentamos o incómodo.
Eu (Uma vez mais consegui controlar-me, porque a resposta que esteve quase a sair-me da boca foi: "Lamenta mas é a tua tromba, isso é que é de lamentar!" Mas sorri cordialmente) - Ora essa! Adeus e tenha o resto de uma boa tarde de trabalho!
Bexigosa (claramente embevecida pela lucidez discursiva por mim patenteada) - Adeus e até à próxima!
Mal saí da repartição vomitei para cima de dois putos meio marrecos, com as respectivas mochilas às costas. Olhei em meu redor, como ninguém tinha visto, gargalhei veementemente e fui à minha vida.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Carta ao Pai Natal
Gordo nojento e seboso, eu até não vou muito à bola contigo, mas já que vestes de vermelho e branco, e tudo, só te peço uma coisinha pequena neste Natal, mas quero que me a ofereças antecipadamente: quero uma vitória do meu Benfica daqui a pouco. Chega uma batatinha dentro das redes blaugranas. Que bata no cu do Nolito e entre, que o Pinto dê um frango, não quero saber. Que se faça história e o Benfica ganhe pela primeira vez em Nou Camp. Quero uma VITÓRIA, badocha de merda...
Ass. Juvenal
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Passeio vespertino
Achei-me, hoje, com tempo suficiente para um passeio vespertino. Comi, ao almoço, um valente prato de iscas, regado com um bom vinho tinto (se bem que para mim são todos bons. Enólogos e escanções que vão enfiar os taninos e os aromas pelos entrefolhos acima). Um bom vinho tinto, escrevia eu antes dos pertinentes parênteses, ali da região de Palmela e que, com toda a certeza, orgulharia o meu bom amigo Octávio Machado.
Voltando ao passeio, perdido nos meus pensamentos, fui desembocar num conhecido jardim da nossa capital. Sentada num banco, estava uma senhora na casa dos trinta anos. Belas e delicadas feições, um decote onde palpitavam dois apelativos seios, e a acompanhar tudo isto uma vigorosa, porém não excessiva, tranca. Cinco minutos me bastaram para formular uma abordagem infalível, aferir o hálito na palma da mão, e avançar com passo sereno, mas másculo.
Do teor da abordagem não vos darei pormenores, pois o segredo será não só a alma do negócio, mas também do engate. Basta-vos saber que acabei por seguir com a tal senhora para a sua residência, ali próxima. Porém, uma vez aberta a porta, chegou-me ao nariz um cheiro nauseabundo, e consequentemente a mostarda. Rapidamente me dei conta, pelo cheiro da habitação, pelas roupas espalhadas pelo chão, pela ratazana que me pareceu ver cruzar a sala, de que caso ela se começasse a despir eu iria vomitar as iscas, e com elas as batatas (reparem no jogo de palavras entre o que acabei de escrever e o nome do prato: iscas com elas. Sou mesmo bom nesta merda). Adivinhei, num assomo de clarividência de que só as grandes mentes são capazes, que aquilo não iria correr bem. Inventei uma desculpa e fugi dali a correr. No caminho para casa dei comigo a pensar: esta mulher tem tudo para ser perfeita e é uma badalhoca de primeira água; esta gaja é o Nicolás Gaitán das mulheres. No melhor pano cai a nódoa, não haja dúvida.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Para quê pagar, se as como de borla?
Fico apreensivo ao saber que, a maioria dos tarados que leram o título deste post, pensaram imediatamente que me referia às nobres, e porém muy servis, senhoras que desempenham a mais remota profissão deste mundo. "Ah e tal, não acredito que a prostituição seja o mais antigo ofício de que há memória", dirão alguns parvos. Pois é, pasmem-se, mas há quem considere falsa esta ideia de que, nos primórdios da humanidade, a primeira coisa que se fez para ganhar alguns trocados foi alugar a ancestral bardanasca a terceiros. Pode, inclusive, ler-se na Wikipédia, a propósito desta temática: "...a ideia de que a prostituição seja a profissão mais antiga do mundo não encontra qualquer fundamento histórico ou antropológico, visto que os mais antigos registros de atividades humanas revelam as mais variadas especializações como agricultura e caça, mas raramente revelam indícios de prostituição..." (podem seguir o link se a minha palavra não vos chega, e até ponho aqui uma ilustração que eles para lá têm, seus desconfiados de merda).
Eu, como é meu timbre nestas questões polémicas, não concordo com esta tese! Então querem fazer-me crer que os Cains, os Abéis, os Moisés, os Abraões deste mundo, dispensaram a oportunidade de se tornarem proxenetas (segunda profissão mais antiga do mundo, seguindo o meu raciocínio) e optaram por ir apanhar batatas e caçar javalis? Querem que eu acredite que o homem, por mais calhau que pudesse ser, preferia empunhar diariamente enxadas ou lanças, ao invés de ficar sentado todo o dia a beber cerveja ou bebida equivalente a esta, naquela época, enquanto as mulheres faziam o trabalho por eles? Não me forniquem!
Mas dispersei-me com esta história de prostituição. Quando o tema vem à baila, perco-me sempre, não sei bem porquê. O título deste ensaio, chamemos-lhe ensaio, vem a propósito da laranjeira que a minha vizinha tem no quintal. Para quê gastar dinheiro em laranjas, se as tenho aqui à porta e de borla?
P.S.: Um conselho: se a imagem, que aqui coloquei, vos despertou alguma espécie de tesão, consultem um médico quanto antes. Eu cá já tenho consulta para amanhã.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Da minha pessoa, ou nem por isso
Condicionadores não são apenas aqueles produtos que o mulherio, e um ou outro mariconço, põe no cabelo com a suposta finalidade de o tornar mais macio. Condicionadores são também estes meliantes que não me permitem usar mais de 500 caracteres na apresentação que pretendo fazer do meu blogue e de mim próprio. Esclarecendo os menos lestos no processamento encefálico, a apresentação consubstancia-se naquele pequeno texto que está no topo da página. Partindo, porventura erradamente, do princípio que captei a vossa atenção, quereis, com certeza, saber de onde venho, para onde gostaria de ir, para onde efectivamente vou, et cetera e tal.
O meu nome é Juvenal, assim optaram por me chamar meus pais sem o meu assentimento e concórdia, e por essa e outras razões tenho-lhes um ódio visceral só comparado ao que o ministro Vitor Gaspar tem aos contribuintes. Porém tenho vivido sob essa denominação durante toda a minha vida e já há bastos anos que meus pés calcorreiam esta terra. Este meu nome não seria para mim um fardo tão pesado se não existisse entre o ser humano essa perniciosa tendência, movida a toque da preguiça, de abreviar nomes: O Guilherme facilmente passa a Gui; o Rafael sem se dar conta passa a ser o Rafa; o Xavier distrai-se por breves segundos e é Xavi; e eu, malfadado, sou o Juve.
Mas como se não bastasse este terrível jugo, lograram meus débeis progenitores apor um Leonardo ao, já de si cáustico, Juvenal.
Juvenal Leonardo é, portanto, a minha graça.
Ora, como é do conhecimento geral, existe uma claque nos meandros do desporto nacional, que dá pelo nome de Juve Leo e que é afecta a um clube cujo nome evito escrever ou pronunciar, pois não pretendo originar náuseas a outrem, e muito menos desejo ser acometido por elas (para isso já chegou ter mencionado o nome da claque). Mas a simples suposição de que o meu nome possa ser associado a tal trupe, faz com que as entranhas se me revolvam e os olhos se me esgazeiem. Não sendo eu uma pessoa dada à violência, seja ela de que estirpe for, à conta de tais paralelismos já abri mais de uma vintena de cabeças, mais de uma trintena de sobrolhos e já rasguei outros tantos beiços.
É certo que se nos cingirmos à presente temporada futebolística, a fúria e a repulsa patentes no parágrafo anterior derivam numa condescendência sem limites, semelhante à que as beatas destinam aos mendigos a seguir à missa de domingo: "Ah coitadinho, até metes nojo!! Toma lá 0.50€ e que Deus Nosso Senhor te acompanhe." O que não diverge muito de: "Ah coitadinhos, até metem nojo!! Tomem lá o Rojo e uma vitória das vossas reservas sobre as nossas, na Luz."
Bem, já me alonguei demais. Aos poucos irei dar-me a conhecer melhor, queiram fazer o favor de me ir acompanhando caso tenham gostado do que leram até agora. Caso não tenham gostado espero que vos cresça uma borbulha execrável, cheia de um qualquer pus esverdeado, mesmo na ponta da penca, e que vos caia o lóbulo da orelha esquerda dentro do prato de caldo verde, e o comam, julgando que é a rodela de chouriço.
Subscrever:
Mensagens (Atom)










