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sábado, 20 de abril de 2013

Quando eu for grande...

Cansados que estejam,  ou não, de ler o que escrevo, continuarei a submeter-vos à pena da minha pena, enquanto tal me der na real gana. Uma vez mais, dei com um texto que remonta à minha mais primeva idade, época de menores ralações e de mais farto cabelo. Depois de aqui vos ter deixado as minhas composições subordinadas aos temas do cão e da praia, desta feita reproduzirei integral e fielmente uma redacção intitulada Quando eu for grande...

Quando eu for grande vou ser maior do que sou agora, e vou ter mais dinheiro sem precisar de pedir ao meu pai, porque ele não gosta que eu lhe peça. De cada vez que lhe peço dinheiro para cromos ou pastilhas ele diz sempre - Deves de julgar que eu ando a roubar carteiras! Eu não sei se o meu pai anda a roubar carteiras ou não, mas o Pedrinho e o Marco andam a roubar chocolates Regina no supermercado do senhor Afonso, que eu já vi. Eles dizem para eu roubar também, mas eu nunca roubei nada, nem nunca faltei à catequese, nem à missa, nem ao ATL, por isso é que às vezes não tenho tempo para fazer os trabalhos de casa.

Quando eu for grande o meu pai vai ser mais grande ainda, ou então vai morrer porque já vai ser velhote, só que eu não queria que o meu pai morresse, nem a minha mãe, nem a minha irmã, nem a professora dona Ermelinda. Os outros para mim podiam morrer todos, estes é que não..

Quando eu for grande já não vou vir para a escola com a mala toda cheia de livros, e cadernos, e lápis, e canetas, e apara-lápis e essas coisas todas que sozinhas nem pesam muinto, mas que todas juntas, parecendo que não, ainda custam a carregar. Eu por acaso até não sei se pesam, o Marco é que diz que sim, porque ele traz sempre a mochila dele e a minha, mas não é porque eu digo que lhe parto a cara toda se ele não trazer, ele é que quer assim.

Quando eu for grande vou ter barba e as raparigas vão-se queixar-se porque as vou picar quando lhes der beijinhos na cara. Mas se for na boca elas já não se vão se queixar-se, e vão gostar. Só que vão dizer para eu parar e vão-me empurrar-me, e depois vão-me puxar-me pela camisola para eu dar mais, que eu já apanhei a minha irmã a fazer isso a uns quantos marmanjos.

Quando eu for grande vou jogar no Benfica, no lugar adonde joga o Magnusson, só que vou ser português e moreno, e vou marcar ainda mais golos do que ele, porque eu também jogo bem com os pés, não é só com a cabeça. Mas à baliza não vou, porque à baliza vão sempre os que não sabem jogar à frente. Outra coisa que eu também gostava de ser era polícia, para prender os ladrões e os assassínios. E eu sei que vou ser bom polícia, porque quando jogamos às pistolas lá na rua, eu ganho sempre. Os outros dizem que eu sou batoteiro, e que só com um tiro mato aos três e aos quatro, mas é mentira, tenho é a apontaria afinada. O que eles tem todos, é mal em perder.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Jardinário??

Leonardo Jardim despedido por se ter envolvido com mulher do presidente??


Eis o que me passou pela cabeça, num curto espaço de tempo e por ordem cronológica, a este propósito:

- Esta é pelo Euro 2004;

- Em relação ao segundo classificado o Jardim sabia o que é ter mais dez pontos, já em relação ao presidente do seu clube sabia onde fica o ponto G;

- Agora percebo a presença da palavra jardim na expressão "homem sem cornos é como um JARDIM sem flores!";


- Despedimento mais que justo, por se imiscuir no trabalho do presidente;

- Inspirado pela zona antiga da cidade de Atenas, Leonardo Jardim também quis deixar algo em ruínas;

- Tendo, já, marcado presença na Champions League e na Liga Europa, Jardim quis ver como era a "Taça das Taças";


- E, esta não pensei mas li algures: isto vem dar razão ao Jorge Jesus quando afirma que "os treinadores portugueses estão a conquistar a Europa do futebol".




terça-feira, 6 de novembro de 2012

Da minha pessoa, ou nem por isso

Condicionadores não são apenas aqueles produtos que o mulherio, e um ou outro mariconço, põe no cabelo com a suposta finalidade de o tornar mais macio. Condicionadores são também estes meliantes que não me permitem usar mais de 500 caracteres na apresentação que pretendo fazer do meu blogue e de mim próprio. Esclarecendo os menos lestos no processamento encefálico, a apresentação consubstancia-se naquele pequeno texto que está no topo da página. Partindo, porventura erradamente, do princípio que captei a vossa atenção, quereis, com certeza, saber de onde venho, para onde gostaria de ir, para onde efectivamente vou, et cetera e tal.

O meu nome é Juvenal, assim optaram por me chamar meus pais sem o meu assentimento e concórdia, e por essa e outras razões tenho-lhes um ódio visceral só comparado ao que o ministro Vitor Gaspar tem aos contribuintes. Porém tenho vivido sob essa denominação durante toda a minha vida e já há bastos anos que meus pés calcorreiam esta terra. Este meu nome não seria para mim um fardo tão pesado se não existisse entre o ser humano essa perniciosa tendência, movida a toque da preguiça, de abreviar nomes: O Guilherme facilmente passa a Gui; o Rafael sem se dar conta passa a ser o Rafa; o Xavier distrai-se por breves segundos e é Xavi; e eu, malfadado, sou o Juve. 

Mas como se não bastasse este terrível jugo, lograram meus débeis progenitores apor um Leonardo ao, já de si cáustico, Juvenal. 

Juvenal Leonardo é, portanto, a minha graça.


Ora, como é do conhecimento geral, existe uma claque nos meandros do desporto nacional, que dá pelo nome de Juve Leo e que é afecta a um clube cujo nome evito escrever ou pronunciar, pois não pretendo originar náuseas a outrem, e muito menos desejo ser acometido por elas (para isso já chegou ter mencionado o nome da claque). Mas a simples suposição de que o meu nome possa ser associado a tal trupe, faz com que as entranhas se me revolvam e os olhos se me esgazeiem. Não sendo eu uma pessoa dada à violência, seja ela de que estirpe for, à conta de tais paralelismos já abri mais de uma vintena de cabeças, mais de uma trintena de sobrolhos e já rasguei outros tantos beiços.


É certo que se nos cingirmos à presente temporada futebolística, a fúria e a repulsa patentes no parágrafo anterior derivam numa condescendência sem limites, semelhante à que as beatas destinam aos mendigos a seguir à missa de domingo: "Ah coitadinho, até metes nojo!! Toma lá 0.50€ e que Deus Nosso Senhor te acompanhe." O que não diverge muito de: "Ah coitadinhos, até metem nojo!! Tomem lá o Rojo e uma vitória das vossas reservas sobre as nossas, na Luz."


Bem, já me alonguei demais. Aos poucos irei dar-me a conhecer melhor, queiram fazer o favor de me ir acompanhando caso tenham gostado do que leram até agora. Caso não tenham gostado espero que vos cresça uma borbulha execrável, cheia de um qualquer pus esverdeado, mesmo na ponta da penca, e que vos caia o lóbulo da orelha esquerda dentro do prato de caldo verde, e o comam, julgando que é a rodela de chouriço.