Quinta-feira passada, dia 14 de Fevereiro, dia dos namorados. Saio à rua, não chove. O sol vai, paulatinamente, enchendo o meu âmago de uma alegre felicidade e de uma feliz alegria, passe o duplo pleonasmo, que até vos deixou atordoados. Ao atravessar a estrada, em plena passadeira, reparo que tenho o atacador do meu ténis esquerdo desapertado. Agacho-me e aperto-o. O condutor de um automóvel branco, que parara para eu passar, acha o meu comportamento inusitado, quiçá abusivo e buzina. Sugiro-lhe que proceda à introdução da buzina na sua própria cavidade anal, e ao fazê-lo mostro-lhe o dedo médio da minha mão esquerda, num magnífico desdobramento de falanges. Numa atitude inteligente, ele não reage, preservando, desse modo, tantos dentes quantos tinha na boca. Passado esse breve momento de tensão, chego ao outro lado da estrada e digo para comigo: ora aí está um bom dia para ires comprar um ou dois pares de calças, pois todos os que tens estão a rasgar-se, e pela zona em que é, muito provavelmente deve-se ao volume de outro par que possuis desde que vieste a este mundo.
Assim o disse, assim o fiz: linha azul do metropolitano de Lisboa, Baixa-Chiado, Rua Augusta. Compro as calças, vou comer um gelado e começo a reparar nas hordas de gajos com ramos de flores na mão, com embrulhos, até mesmo com balões. Eu até compreendo as flores e os embrulhos, procurando cair nas graças da fêmea, para depois à noite ser mais fácil convencê-la de que o sémen faz bem à pele (neste capítulo, baseado na minha própria experiência deixo-vos um pequeno conselho: se ela for dermatologista, poupem-se ao esforço). Mas balões? Que género de gajo dá balões à namorada? Só se for o gajo que anda a varrer a Picolé.
A mim não me apanham em semelhantes figuras. Andar a gastar dinheiro em presentes para namoradas minhas? Já bem chega o dinheiro que lhes pago para elas me satisfazerem sexualmente, a somar ao que pago por quartos de pensões, residenciais e, de quando em quando, hotéis.

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