Como, decerto, já terão reparado aqueles que habitualmente lêem os meus textos e como, certamente, irão reparar os que os lerem daqui por diante, há assuntos que, pela relevância que têm, merecem a minha particular atenção.
Embora saiba que, nas linhas que se seguem, corro o risco de vos perder, vou dar um passo em frente, tal como o outro que estava à beira do precipício (para os menos esclarecidos nas andanças futebolísticas, o outro que acima refiro foi um proeminente lateral-direito do Futebol Clube do Porto, na década de 80 e nos primórdios da de 90, e que, contrariando todas as noções cromáticas, matemáticas e anatómicas, afirmou também que o seu coração tinha apenas uma cor: azul e branco).
Nos seus tempos livres, o comum dos indivíduos vai às compras com a namorada e fica à porta da Zara a controlar as namoradas dos outros, ou então vai ao cinema, vai à praia, vai praticar desporto, vai a uma sex-shop, vai ver um peep-show, vai ao Parque Eduardo Sétimo atirar balões de água aos maricas. Enfim, há mil e uma actividades corriqueiras a que podemos dedicar-nos para entreter o ócio. Porém, sou da opinião que tudo deve ter os seus limites. Já ouviram falar no Birdwatching? Que merda vem a ser aquela? Que espécie de gente é esta que estando em casa sem nada para fazer, decide agarrar nos binóculos e ir para a mata espreitar os melros, os pintassilgos e os beija-flores? Eu dava-lhes o que beijar, dava-lhes. Se ainda levassem uma pressão de ar e tratassem de arranjar almoço...
No fundo, estes gajos não passam de voyeurs, mas em versão ultra-doentia. Um gajo ir para as dunas com os binóculos, em busca de duas bifas em topless a jogarem às raquetes, e esgalhar uma sarapitola à conta disso, ainda é algo que cabe no meu entendimento. Agora ir espreitar o passaredo na sua intimidade? Deixem lá os bichos sossegados, senão ainda levam com uns balões de água no focinho...

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