Começou, ontem, a 83ª edição da Feira do Livro de Lisboa e eu, obviamente, quero ver se lá dou um salto. Desde há alguns anos a esta parte desenvolvi este hábito, ou antes ritual, de me deslocar ao Parque Eduardo VII, passear-me durante uma ou duas horas por aquela ocasional conjugação de folhas arbóreas e folhas livrescas, comer uma fartura ou um gelado, beber um café ou uma imperial, e desembolsar consideráveis maquias em palavras alheias que passam a ser um pouco minhas, também.
Na edição do ano passado, se a matemática não me falha, a 82ª, recordo-me de chegar ao Marquês de Pombal já aviado com um pequeno saco contendo dois ou três grandes livros. Cruzei-me então com um antigo colega de escola, muito mais robusto fisicamente do que ao nível cognitivo. Depois dos costumados cumprimentos ele disse-me, sorridente: "Fostes comprar livros, não é? Continuas com a mania de que és intelectual, está visto..."
A esta interpelação eu respondi do seguinte modo:
- "Repara, se eu, efectivamente, tivesse a mania que sou intelectual, sugerir-te-ia agora que, de modo célere e resoluto, encetassses a subida desta alameda, prenhe de cultura e saber, e que ao lograres alcançar o topo da mesma sentasses o teu hediondo traseiro na escultura fálica com que João Cutileiro pretendeu assinalar os 25 anos comemorativos da revolução dos cravos. Não tendo eu essa mania, mando-te apenas e só para o caralho!"
Depois desatei a correr Avenida Fontes Pereira de Melo acima, porque levar sopapos no focinho é algo de que não retiro especial prazer.

5 comentários:
Correr avenida acima carregado de livros não foi a coisa mais inteligente que li nos últimos tempos, devo dizer-te...
Calma, quando escrevi "grandes livros", não quis dizer que o fossem em volume ou peso...
Calma, quando escrevi "grandes livros", não quis dizer que o fossem em volume ou peso...
Tão pá, nunca mais escreves?
Migrei para o Facebook :)
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