Julgavam que eu já tinha quinado, não? Enganam-se, ainda estou vivo e recomendo-me. Quem quinou foi um tio meu que vivia lá para o interior, e eu vi-me forçado a deslocar-me até lá para velório, funeral e testamento, onde, curiosamente, constava o meu nome. O velho não tinha filhos, pelo que achou por bem que eu ficasse com grande parte do seu património, ou seja, com o seu canivete suiço e uma boina, daquelas à velho, que, pelo cheiro a bedum, já não devia ser lavada desde a assinatura do tratado de Tordesilhas.
Ao voltar para casa, pisei a poia que um qualquer canídeo deixou mesmo à minha porta. Contra o bicho não tenho nada, porque os animais agem de acordo com as suas necessidades primárias, sem passar grande cartão a indicações cerebrais. Já contra o dono tenho aqui o canivete suíço com que limpei a merda do meu sapato, e com que lhe limparei o sarampo, se preciso for.
Portanto: bom Natal mas é o raio que vos parta! E isto é para não escrever "bom Natal mas é o caralho que vos foda bem no meio dos vossos cus!", porque há senhoras que lêem isto, e um ou outro maricas também. Num e noutro caso, tratam-se de pessoas de extrema sensibilidade a quem este tipo de linguajar pode ofender, muito embora sejam as que mais se sujeitam a albergar o mangalho entre as bochechas do pandeiro.

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