É com enorme pesar que constato não existir, nem nunca ter existido, a menor referência a uma sublime área da poesia portuguesa nos programas curriculares do nosso ensino. Refiro-me, claro está, à poesia erótica, em que pontificou, com mestria, o grande Manuel Maria Barbosa du Bocage. Algum professor menos pudico poderá, eventualmente, aflorar o tema, mas nunca com a profundidade que lhe é devida, por temer represálias. Não esqueçamos que vivemos no país em que uma professora (bem boa, por sinal) se viu impedida de continuar a leccionar por ter posado nua para a revista Playboy.
O que, desta lacuna, advém, não é bonito: abundantemente negligenciada, a arte poética vê-se ainda mais despojada de afecto quando imerge nas convulsas águas do erotismo. No sentido de atenuá-la, à lacuna e não à arte poética, poderia, aqui, presentear-vos com o célebre "Soneto de todas as putas", mas à imagem do outro que nos exortou a fazer as contas, eu exorto-vos a pesquisar.
Em contrapartida, pelas musas inspirado, deixo abaixo a minha, humilde mas pertinaz, contribuição artística:
Com a verga, hei-de vergar-te,
porra nenhuma me acalma.
Que fique claro, destarte,
o que me consome a alma.
A glande já se arregala,
arreda consigo a vergonha.
E, sem querer decepcioná-la,
vou deitar fora a langonha.
Lançada que está a rede,
escancara-me, então, o pito.
Mata esta minha sede.
Termino, agora, num grito:
Encosta as mãos à parede
ou bufa aqui no apito.
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