É, demasiadas vezes, volátil, esta vida que vamos levando. Ora nos sentimos abençoados pela graça divina, com uma sucessão de dias imaculados, ora nos vemos confrontados com dores de cabeça da mais diversa ordem, quer sejam elas motivadas pela vileza de outrem, quer pela nossa própria necedade.
Vem esta conversa a propósito de um amigo que tenho e estimo, e que há dias se viu presenteado com uma parelha de chifres pela sua loiríssima e lésbica esposa. É lésbica, não por venerar cricas, como o homem que escreve estas linhas, mas antes por ser esse o gentílico de quem é natural da grega ilha de Lesbos. Venerasse ela cricas, como o homem que escreve estas linhas (nunca é demais realçá-lo), e o Raúl não a teria apanhado nos preparos em que apanhou.
Situação cliché ou não, o certo é que o Raúl regressou mais cedo a casa, nesse dia de má memória. Entrou no quarto e deu com a Aristocleia a cavalgar o tisnado varapau de um vendedor ambulante de origem senegalesa. Eu já o advertira de que a flor grega não era das que se cheirassem, mas ele não confiou no meu apurado olfacto no que concerne à detecção do feminino cio. Chegou, inclusivamente, a melindrar-se por eu pôr em causa a fidelidade da sua cara metade.
Ora, o Raúl, como sujeito complacente que é, sujeitou-se a ouvir falsas explicações e não aviou, logo ali, os dois que lhe ataviaram a testa: vaca grega e bandarilheiro senegalês. Ao que parece, a lésbica, mal viu Raúl, encetou a sequência de lugares-comuns típica nestes casos, como comprovam novelas e filmes:
1) Levantou-se, num salto, e embrulhou-se no lençol, deixando o intumescido membro africano ao léu;
2) Cuspiu um "então não saías mais tarde do trabalho, hoje?";
3) Escarrou um "isto não é o que parece!";
4) Expectorou um "eu amo-te é a ti, e não a ele!".
Perante isto, deparo-me com algumas questões. Vamos, então, por partes, seguindo a ordem das alíneas anteriores:
1) Embrulhou-se no lençol para quê? Estava com frio? Ou tem alguma coisa a esconder? É que tanto um, como outro, já devem ter visto cada milímetro daquele corpo de todos os ângulos possíveis;
2) A sério? A culpa agora é do rapaz, por não ter ficado no escritório a fazer horas extraordinárias não remuneradas? Por acaso não queres que ele te vá comprar um maço de tabaco, enquanto tu acabas o que estavas a fazer, queres?;
3) Então mas o que é que parece? Ao Raúl pareceu que estavas a ajudar o senhor a matar esse bicho negro e grande que ele aí tem, à força de senaitadas. Não me digas que, afinal, estavam a praticar aquela coisa do coito ou lá o que é?;
4) Amas, não amas? Tu amas é, literalmente, o c...
Situação cliché ou não, o certo é que o Raúl regressou mais cedo a casa, nesse dia de má memória. Entrou no quarto e deu com a Aristocleia a cavalgar o tisnado varapau de um vendedor ambulante de origem senegalesa. Eu já o advertira de que a flor grega não era das que se cheirassem, mas ele não confiou no meu apurado olfacto no que concerne à detecção do feminino cio. Chegou, inclusivamente, a melindrar-se por eu pôr em causa a fidelidade da sua cara metade.
Ora, o Raúl, como sujeito complacente que é, sujeitou-se a ouvir falsas explicações e não aviou, logo ali, os dois que lhe ataviaram a testa: vaca grega e bandarilheiro senegalês. Ao que parece, a lésbica, mal viu Raúl, encetou a sequência de lugares-comuns típica nestes casos, como comprovam novelas e filmes:
1) Levantou-se, num salto, e embrulhou-se no lençol, deixando o intumescido membro africano ao léu;
2) Cuspiu um "então não saías mais tarde do trabalho, hoje?";
3) Escarrou um "isto não é o que parece!";
4) Expectorou um "eu amo-te é a ti, e não a ele!".
Perante isto, deparo-me com algumas questões. Vamos, então, por partes, seguindo a ordem das alíneas anteriores:
1) Embrulhou-se no lençol para quê? Estava com frio? Ou tem alguma coisa a esconder? É que tanto um, como outro, já devem ter visto cada milímetro daquele corpo de todos os ângulos possíveis;
2) A sério? A culpa agora é do rapaz, por não ter ficado no escritório a fazer horas extraordinárias não remuneradas? Por acaso não queres que ele te vá comprar um maço de tabaco, enquanto tu acabas o que estavas a fazer, queres?;
3) Então mas o que é que parece? Ao Raúl pareceu que estavas a ajudar o senhor a matar esse bicho negro e grande que ele aí tem, à força de senaitadas. Não me digas que, afinal, estavam a praticar aquela coisa do coito ou lá o que é?;
4) Amas, não amas? Tu amas é, literalmente, o c...

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