quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pesca

Esta merda de ir à pesca com um tempo destes, e apanhar só um chicharro, não é nada agradável! Para a próxima levo o Diogo Morgado.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Aliteração erótico-sibilante

Saber-me-ia soberbamente bem se, de súbito, sugasse sofregamente soberana e sacrossanta senaita, seguindo-se a isso, simplesmente, uma sossegada sesta...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

EQM

Muitos dos poucos leitores que aqui vêm com alguma regularidade têm-me apontado o dedo, no mais das vezes em mensagens privadas. Talvez não tanto a mim, mas mais ao teor do que escrevo. Dizem eles que para além de escatologia, violência explícita e sexualidade pura e dura, pouco mais se pode extrair do meu solo textual. Fosse eu mais dado a beligerâncias, como fui em primaveras passadas, sugerir-lhes-ia que pegassem nesses dedos que me apontam e os enfiassem bem no meio dos respectivos cagueiros. Porém, estou a tentar  tornar-me numa pessoa melhor e, como tal, tenho tendido a gerir melhor os meus acessos de fúria.

Como prova disso mesmo, nas linhas que se seguem, tentarei manter-me afastado dessas temáticas, ainda que, em minha defesa e em defesa das ideias que pretendo perpassar, me sinta na obrigação de atalhar que, geralmente, onde os leitores vêem escatologia, eu vejo fezes e flatulências eufemísticas, onde detectam violência explícita, eu detecto socos e pontapés metafóricos, onde vislumbram sexualidade pura e dura, eu vislumbro pénis e vaginas metonímicos. Ou, talvez aí, também vislumbre sexualidade pura e dura, não sei ao certo.

Mas adiante porque, como em tempos ficou escrito, o caminho faz-se caminhando. Na próxima quinta-feira, o programa televisivo Linha da Frente, que passa na, por enquanto, televisão pública, abordará o tema das Experiências de Quase Morte (doravante designadas como EQM). Por mais macabro que isto possa parecer, este é um assunto que sempre me fascinou. As pessoas que vivem (ou quase morrem) estas experiências verão,  ipsis verbis, uma luz branca muito intensa? Sentirão, de facto, como que uma separação entre corpo e alma? Verão, efectivamente, os momentos mais marcantes das suas vidas passar-lhes diante dos olhos, numa espécie de flashback acelerado? Há toda uma névoa a encobrir as EQM. Nem médicos, nem cientistas, nem sequer espiritualistas são capazes de dar respostas definitivas e esclarecedoras a este respeito. Tudo o que sabemos é o que a malta que quase patina nos conta quando melhora, mas essa malta pode muito bem não passar de uma cambada de embusteiros. A título de exemplo reparem no actual governo da nossa república, após a recente decisão do TC todos o davam como morto, mas ele estrebuchou veementemente e aí está, de novo, a tentar comer-nos por parvos.

No que me diz respeito, certa vez estive bastante próximo de obter algumas respostas cabais sobre as EQM. Aconteceu quando um grande amigo meu, merecedor da minha total confiança, sofreu um gravíssimo acidente de viação. Os médicos já o davam como clinicamente morto, mas ele voltou à vida e ao pleno uso das suas capacidades cognitivas, depois de ter estado nesse processo límbico. Ao saber disso, corri de imediato até ao Santa Maria na expectativa de saber da boca dele aquilo que havia experienciado durante a sua EQM, e ele faz-me uma das piores desfeitas de que tenho memória, morrendo-me ali, perene e definitivamente, sem sequer me dizer uma palavra. Hoje já consigo perdoá-lo, e como dizem as beatas, que Deus o tenha em paz e descanso, mas na altura fiquei tremendamente sentido com aquilo, saí dali disparado sem dar as minhas condolências à família, e nem sequer pus os pés no velório ou funeral. 

Estão contentes agora, os mais pudicos? Nestes dois últimos parágrafos mantive-me fiel ao que me propus: não há escatologia (ou melhor, até há, mas na outra acepção do termo que não a dos excrementos), não há violência (pelo menos explícita) e não há o mínimo vestígio de sexualidade (mas só aqui no texto, porque ali nos meus lençóis já não garanto que amen).

segunda-feira, 1 de abril de 2013

I love...

Antes de tudo o mais, uma elucidativa nota prévia: é dia das mentiras mas, no que vos vou contar, garanto não haver o mínimo vislumbre de ficção.

Há coisa de duas ou três horas, passeava eu a minha incomensurável beleza pelas olisiponenses ruas, e cruzei-me  com uma mocinha que em termos de idade não ultrapassaria, garantidamente, os dezoito, dezanove anos. Trajava, a dita, umas calças justas, uma camisola de capuz, uns ténis  de cores estonteantes e tinha o cabelo entrançado, à laia de uma Lara Croft ou Pipi das Meias Altas. De toda essa indumentária, uma só coisa reteve a minha atenção por mais tempo do que o estritamente necessário nestas circunstâncias e, por incrível que pareça, não foram os ténis multicolores. Estarão, com toda a certeza, familiarizados com t-shirts e camisolas exibindo mensagens do género: "I love NY"; "I love myself"; "I love cerveja"; "I love acids"; "I love chocolate" e por aí fora, sendo que, em praticamente todas elas a partícula "love" se substitui por um coração bem avermelhado. Não raramente, como, aliás, poderão verificar pelos exemplos que acima dei, ocorre misturarem-se,  nestas peças de vestuário, a linguagem simbólica do coração, o idioma de Shakespeare e a veneranda língua de Camões.


Ora, como já perceberam, caso não sejam estúpidos, aquilo que mais me estupefez naquele recontro, foi a mensagem que a camisola de capuz ostentava. Infelizmente, não consegui perceber bem a primeira letra da palavra que vinha a seguir ao coração, dada a rapidez com que se deu o meu cruzamento com a rapariga e dado que, do ângulo de visão que me calhou em sorte, a letra se encontrava parcialmente encoberta pelo considerável volume mamário da rapariga. Ainda assim, percebi tratar-se de um B ou de um R. Quanto às restantes letras dessa palavra, não me assaltaram quaisquer dúvidas: eram, claramente, duas vogais escoltadas por duas consoantes formando, em conjunto, um inconclusivo "icos". Mas, se lhes juntarmos o tal B ou o tal R, dissipa-se a névoa e ficamos com Bicos ou Ricos, respectivamente. Em suma, das duas uma: ou a miúda adora bicos, ou a miúda adora ricos. Qualquer uma das hipóteses é, para mim, desconcertante, mas, caso fosse a primeira, teria todo o gosto em dar vazão ao amor da moça. Já quanto à segunda hipótese, nada posso fazer, pois não passo de um mero assalariado sem perspectivas de enriquecimento, seja ele lícito ou, o tão português ilícito.

sábado, 30 de março de 2013

Birdwatching

Como, decerto, já terão reparado aqueles que habitualmente lêem os meus textos e como, certamente, irão reparar os que os lerem daqui por diante, há assuntos que, pela relevância que têm, merecem a minha particular atenção.

Embora saiba que, nas linhas que se seguem, corro o risco de vos perder, vou dar um passo em frente, tal como o outro que estava à beira do precipício (para os menos esclarecidos nas andanças futebolísticas, o outro que acima refiro foi um proeminente lateral-direito do Futebol Clube do Porto, na década de 80 e nos primórdios da de 90, e que, contrariando todas as noções cromáticas, matemáticas e anatómicas, afirmou também que o seu coração tinha apenas uma cor: azul e branco).

Nos seus tempos livres, o comum dos indivíduos vai às compras com a namorada e fica à porta da Zara a controlar as namoradas dos outros, ou então vai ao cinema, vai à praia, vai praticar desporto, vai a uma sex-shop, vai ver um peep-show, vai ao Parque Eduardo Sétimo atirar balões de água aos maricas. Enfim, há mil e uma actividades corriqueiras a que podemos dedicar-nos para entreter o ócio. Porém, sou da opinião que tudo deve ter os seus limites. Já ouviram falar no Birdwatching? Que merda vem a ser aquela? Que espécie de gente é esta que estando em casa sem nada para fazer, decide agarrar nos binóculos e ir para a mata espreitar os melros, os pintassilgos e os beija-flores? Eu dava-lhes o que beijar, dava-lhes. Se ainda levassem uma pressão de ar e tratassem de arranjar almoço...


No fundo, estes gajos não passam de voyeurs, mas em versão ultra-doentia. Um gajo ir para as dunas com os binóculos, em busca de duas bifas em topless a jogarem às raquetes, e esgalhar uma sarapitola à conta disso, ainda é algo que cabe no meu entendimento. Agora ir espreitar o passaredo na sua intimidade? Deixem lá os bichos sossegados, senão ainda levam com uns balões de água no focinho...






quinta-feira, 21 de março de 2013

Dia mundial da poesia


Azevia

Sendo da poesia, o dia
e de lanchar, a hora,
vou comer uma azevia,
não mais logo, e sim agora.


"Azevia em pascal data?
Isso não é no Natal?"-
perguntas tu, vil primata,
tosco atrasado mental.


É no Natal, se eu quiser
ou na Páscoa se o achar.
A fome é minha mulher
e terei de a aplacar.


Tratada que está, consolada,
recosto-me, arroto e medito:
e agora uma canzanada,
eles a baterem no pito?

terça-feira, 19 de março de 2013

Praia

Deixo-vos abaixo mais uma das minhas pueris composições:

A praia

Gosto inmenso de ir á praia, mas agora é inverno e não posso ir. Se fosse eu a amandar acabava com o inverno, porque no inverno faz frio e chove, e as pessoas ficam custipadas e andam sempre cheias de ranho nos narizes e na boca e isso é nojento e dá-me vontade de botar fora o almoço.

Só no verão é que vou á praia com o meu pai, com a minha mãe e com a minha irmã. Ás vezes o meu pai leva o Eusébio também, para ele não ficar em casa a fazer xixi na cozinha. O meu pai prende-o ao chapéu de sol e ele ladra muinto e as outras pessoas reclamam, mas o meu pai amanda-as calarem-se e elas calam-se porque ele é grande e mete medo. Ás vezes os meus tios e os meus primos também vão e eu gosto mais assim, porque posso jogar ás raquetas e à bola em contra eles. A minha irmã nunca quer jogar ás raquetas nem à bola, fica sempre na toalha a pintiar-se e a olhar para os nadadores-salvadores sem o meu pai ver, porque se ele ver dá-lhe logo uma lamparina nas trombas.

O meu pai costuma ir sempre para a beira da água e fica com as mãos atrás das costas a ver as pessoas passar. A minha mãe diz que ele tem a mania que é o guarda da praia e ele amanda-a pintiar macacos, só que a minha irmã é que é boa a pintiar. Ela quando fizer dezoito vai ser cabeleireira ou então ladrona, porque o meu pai diz que com as companhias com que ela anda ainda vai é mas é acabar na cadeia.

Uma vez fomos todos á praia do rei e apareceu umas alforrecas que picaram o meu primo Mário na perna. A perna ficou toda vermelha e inchada e ele ficou cheio de comichões e a chorar, que até parecia um bébé. O meu pai disse que o xixi fazia bem áquilo, porque era antisértico, ou lá o que era. Eu como estava aflitinho pedi para ser eu a fazer xixi para cima da perna do Mário e o meu pai e o meu tio deixaram. Como ele estava deitado no chão e a mexer-se muinto, eu atrapalhei-me e também lhe fiz xixi para a cara, mas foi de sem querer, não foi porque ele uma vez me roubou os únicos dois bonecos da playmobil com cabelo e braços, que eu ainda tinha.

Mas o que eu gosto mais na praia é das bolas com berlim, mas não posso comer muintas senão fico gordo como o meu primo Mário, e depois não consigo fugir das alforrecas a tempo. Também gosto daqueles aviões que passam com mensagens e atiram camisolas. O meu pai apanha sempre muintas porque é grande e forte e as outras pessoas só lá vão tentar apanhar também quando ele já está cansado.