segunda-feira, 1 de abril de 2013

I love...

Antes de tudo o mais, uma elucidativa nota prévia: é dia das mentiras mas, no que vos vou contar, garanto não haver o mínimo vislumbre de ficção.

Há coisa de duas ou três horas, passeava eu a minha incomensurável beleza pelas olisiponenses ruas, e cruzei-me  com uma mocinha que em termos de idade não ultrapassaria, garantidamente, os dezoito, dezanove anos. Trajava, a dita, umas calças justas, uma camisola de capuz, uns ténis  de cores estonteantes e tinha o cabelo entrançado, à laia de uma Lara Croft ou Pipi das Meias Altas. De toda essa indumentária, uma só coisa reteve a minha atenção por mais tempo do que o estritamente necessário nestas circunstâncias e, por incrível que pareça, não foram os ténis multicolores. Estarão, com toda a certeza, familiarizados com t-shirts e camisolas exibindo mensagens do género: "I love NY"; "I love myself"; "I love cerveja"; "I love acids"; "I love chocolate" e por aí fora, sendo que, em praticamente todas elas a partícula "love" se substitui por um coração bem avermelhado. Não raramente, como, aliás, poderão verificar pelos exemplos que acima dei, ocorre misturarem-se,  nestas peças de vestuário, a linguagem simbólica do coração, o idioma de Shakespeare e a veneranda língua de Camões.


Ora, como já perceberam, caso não sejam estúpidos, aquilo que mais me estupefez naquele recontro, foi a mensagem que a camisola de capuz ostentava. Infelizmente, não consegui perceber bem a primeira letra da palavra que vinha a seguir ao coração, dada a rapidez com que se deu o meu cruzamento com a rapariga e dado que, do ângulo de visão que me calhou em sorte, a letra se encontrava parcialmente encoberta pelo considerável volume mamário da rapariga. Ainda assim, percebi tratar-se de um B ou de um R. Quanto às restantes letras dessa palavra, não me assaltaram quaisquer dúvidas: eram, claramente, duas vogais escoltadas por duas consoantes formando, em conjunto, um inconclusivo "icos". Mas, se lhes juntarmos o tal B ou o tal R, dissipa-se a névoa e ficamos com Bicos ou Ricos, respectivamente. Em suma, das duas uma: ou a miúda adora bicos, ou a miúda adora ricos. Qualquer uma das hipóteses é, para mim, desconcertante, mas, caso fosse a primeira, teria todo o gosto em dar vazão ao amor da moça. Já quanto à segunda hipótese, nada posso fazer, pois não passo de um mero assalariado sem perspectivas de enriquecimento, seja ele lícito ou, o tão português ilícito.

3 comentários:

Tuites disse...

Ela há mentes, perversas. A moça podia ter vindo da Fundação Saramago, qual Pipoca (vai ao dito blogue) que fica na Casa dos Bicos. A camisola era uma declaração de amor literário.
Um autêntico memorial dos Bicos.

Juvenal Martins disse...

Hmmmm,não me cheira. Apesar de poder parecer preconceituoso, arrisco-me a afirmar que, tendo em conta o aspecto dela, se tiver lido Margarida Rebelo Pinto já é uma sorte. Mas nunca se sabe...se no melhor pano cai a nódoa, o contrário também pode ser verdade!

Tuites disse...

A sério, vê o blogue da Pipoca qu'anda numa cruzada para provar que é intelequetual ;)