domingo, 30 de dezembro de 2012

Balanço 2012

Chegada a recta final de um ano é costumeiro fazerem-se balanços, colocando-se num prato o que de bem correu, e que desejamos que, pelo menos, se mantenha no ano subsequente; e noutro prato o que preferimos que não se repita, o que pode ir desde maleitas físicas, como caganeiras e gonorreias recorrentes, até maleitas da alma, onde se enquadram os problemas profissionais e os desgostos amorosos, bastas vezes provocados por caganeiras e gonorreias recorrentes.

Na sequência do que acima ficou escrito, escreverei abaixo aquilo que considerei positivo e negativo neste ano de 2012. Vou, no entanto, cingir-me ao número de cinco tópicos por cada categoria, evitando desnecessários enfados. Vou ainda, em todos os factores positivos, usar a palavra tabela; e em todos os factores negativos usar a palavra ganaus. Porquê? Não sei. Terá de haver uma resposta para tudo, seus Poirots de merda? 

Guardemos para o fim as tristezas, saiba-se das alegrias e daquilo que pretendo que se mantenha:

- A posição do Benfica na tabela classificativa da Liga Zon Sagres;

- A posição do Sporting na tabela classificativa da Liga Zon Sagres;

- A tabela de preços do bordel que frequento, não de forma tão assídua quanto gostaria, a isso obriga a crise, muito embora sejam bastante razoáveis, tanto os preços quanto as profissionais que lá labutam  (aos interessados darei conta da localização em privado);

- A tabela de Basket ao fundo da minha rua, para ir encestar umas bolas com os meus sobrinhos. Não porque goste particularmente dos putos, ou de Basket, mas porque ganho sempre;

- A tabela que fiz em Excel, onde aponto os resultados dos mini-jogos de Basket, só para meter nojo aos putos e, acto contínuo, eles começarem a espingardar e, acto contínuo, levarem uma lambada no focinho.

Agora, os aspectos negativos que gostaria de exorcizar, votando-os definitivamente ao oblívio:

- Os ganaus das partes pudendas, mais comummente conhecidos como chatos, que apanhei algures entre Abrantes e a Chamusca, ainda não sei bem;

- Os ganaus que dizem governar este maravilhoso país, mas que mais não fazem que sugar-nos até ao tutano;

- Os ganaus que apoiam os ganaus da alínea anterior;

- Os ganaus que vivem na sombra dos ganaus da alínea anterior à anterior:

- Os ganaus, em geral, vá, que eu tenho de ir dormir.

Boas entradas no ano e nos...(deixo ao vosso critério a interpretação das reticências, se bem que já sei o que vai nessas cabecinhas badalhocas).




segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Bom Natal, mas é o...

Julgavam que eu já tinha quinado, não? Enganam-se, ainda estou vivo e recomendo-me. Quem quinou foi um tio meu que vivia lá para o interior, e eu vi-me forçado a deslocar-me até lá para velório, funeral e testamento, onde, curiosamente, constava o meu nome. O velho não tinha filhos, pelo que achou por bem que eu ficasse com grande parte do seu património, ou seja, com o seu canivete suiço e uma boina, daquelas à velho, que, pelo cheiro a bedum, já não devia ser lavada  desde a assinatura do tratado de Tordesilhas.

Ao voltar para casa, pisei a poia que um qualquer canídeo deixou mesmo à minha porta. Contra o bicho não tenho nada, porque os animais agem de acordo com as suas necessidades primárias, sem passar grande cartão a indicações cerebrais. Já contra o dono tenho aqui o canivete suíço com que limpei a merda do meu sapato, e com que lhe limparei o sarampo, se preciso for.


Portanto: bom Natal mas é o raio que vos parta! E isto é para não escrever "bom Natal mas é o caralho que vos foda bem no meio dos vossos cus!",  porque há senhoras que lêem isto, e um ou outro maricas também. Num e noutro caso, tratam-se de pessoas de extrema sensibilidade a quem este  tipo de linguajar pode ofender, muito embora sejam as que mais se  sujeitam  a albergar o mangalho entre as bochechas do pandeiro.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Poesia erótica


É com enorme pesar que constato não existir, nem nunca ter existido, a menor referência a uma sublime área da poesia portuguesa nos programas curriculares do nosso ensino. Refiro-me, claro está, à poesia erótica, em que pontificou, com mestria, o grande Manuel Maria Barbosa du Bocage. Algum professor menos pudico poderá, eventualmente, aflorar o tema, mas nunca com a profundidade que lhe é devida, por temer represálias. Não esqueçamos que vivemos no país em que uma professora  (bem boa, por sinal) se viu impedida de continuar a leccionar por ter posado nua para a revista Playboy.

O que, desta lacuna, advém, não é bonito: abundantemente negligenciada, a arte poética vê-se ainda mais despojada de afecto quando imerge nas convulsas águas do erotismo. No sentido de atenuá-la, à lacuna e não à arte poética, poderia, aqui, presentear-vos com o célebre "Soneto de todas as putas", mas à imagem do outro que nos exortou a fazer as contas, eu exorto-vos a pesquisar.

Em contrapartida, pelas musas inspirado, deixo abaixo a minha, humilde mas pertinaz, contribuição artística:

Com a verga, hei-de vergar-te

Com a verga, hei-de vergar-te,
porra nenhuma me acalma.
Que fique claro, destarte,
o que me consome a alma.


A glande já se arregala,
arreda consigo a vergonha.
E, sem querer decepcioná-la,
vou deitar fora a langonha.


Lançada que está a rede,
escancara-me, então, o pito.
Mata esta minha sede.


Termino, agora, num grito:
Encosta as mãos à parede
ou bufa aqui no apito.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

E o Sporting é o nosso grande amor...

Ontem, algures na Freguesia do Lumiar, no mesmo espaço que há quatro ou cinco dias era uma piscina, o Benfica bateu o Sporting, sem grande surpresa. Confesso que cheguei a temer o pior, após o golo do holandês com nome de marca de automóvel, mas os jogadores lagartos voltaram a ser iguais a eles próprios, sobretudo os elementos mais recuados. Aquela defesa é pior que a toalha de uma mesa depois de uma refeição de javardos...é só nódoas!


Estiveram relativamente bem até ao golo, ou melhor, os jogadores do Benfica é que estiveram mal até ao golo leonino, mas a partir daí só deu Benfica. Quais animais espicaçados, os encarnados cerraram os dentes e foram à luta, com o mal amado Óscar Cardozo a decidir o jogo, uma vez mais.



O momento decisivo ocorreu quando o Bolo de Arroz levou a mão à bola em cima da linha de golo. Tivesse ele frequentado jantares académicos, como eu frequentei em tempos, e saberia, com toda certeza, que "mão direita, mão direita é penalty". A não ser que azulasse e verticalizasse as listas verdes da camisola que veste e mudasse o nome para Alex Sandro. Aí mão direita, mão direita seria apenas peito

Bexigosa das finanças

Como bom cidadão que sou, tendo recebido uma missiva, algo intimidante, da parte da Autoridade Tributária, desloquei-me, hoje, à minha repartição de finanças com o intuito de regularizar a situação que, especificando, se resumia ao pagamento de uma coima. 



A referida coima, no valor de 15€, devia-se ao atraso no pagamento do IUC de um veículo que em tempos foi meu, e do qual guardo boas recordações no que respeita à utilização do seu assento traseiro para actividades de cariz íntimo, ora em becos esconsos a altas horas da noite, ora em parques de estacionamento, em plena luz do dia, quando a líbido apertava.

Após uma hora e meia de espera, foi com estas mesmíssimas palavras que expliquei à senhora da repartição, abaixo designada como bexigosa, o assunto que ali me trazia. Vou reproduzir o diálogo de modo a imprimir maior vivacidade à coisa:

Eu - Boa tarde, caugh caugh bexigosa caugh caugh!

Bexigosa - Boa tarde!

Eu (segurando o papel em frente aos olhos da bexigosa e falando de forma rápida, como aqueles gajos nos anúncios publicitários quando falam em TAEG's, TANB's e o caralho a sete) - Então não é que recebi esta notificação lá em casa, onde se pode ler que eu tenho uma coima a pagar? (pausa para recuperar o fôlego) Coima essa relativa ao atraso no pagamento do IUC de um veículo que em tempos foi meu, e do qual guardo boas recordações no que respeita à utilização do seu assento traseiro para actividades de cariz íntimo, ora em becos esconsos a altas horas da noite, ora em parques de estacionamento, em plena luz do dia, quando a líbido apertava...

Bexigosa (sorrindo, retirando-me o papel das mãos com delicadeza, e consultando, posteriormente, o seu computador) - Com licença...pois é, Sr. Juvenal! Tem ocorrido este erro com vários contribuintes. Ao que parece o sistema está a duplicar a emissão deste género de notificações. O Sr. Juvenal já havia sido notificado em 2007, e pelo que me diz o sistema o valor em dívida já se encontra liquidado.

Eu - Sendo assim vim cá em vão, porque não tenho nada a pagar, não é verdade? (aqui apeteceu-me acrescentar: "e ainda por cima tive de olhar para as tuas fuças, que até já me está quase a sair o almoço pela boca fora, sua bexigosa de merda". Mas acabei por conseguir controlar nervos e vómito).

Bexigosa - Pois, lamentamos o incómodo.

Eu (Uma vez mais consegui controlar-me, porque a resposta que esteve quase a sair-me da boca foi: "Lamenta mas é a tua tromba, isso é que é de lamentar!" Mas sorri cordialmente) - Ora essa! Adeus e tenha o resto de uma  boa tarde de trabalho!

Bexigosa (claramente embevecida pela lucidez discursiva por mim patenteada) - Adeus e até à próxima!

Mal saí da repartição vomitei para cima de dois putos meio marrecos, com as respectivas mochilas às costas. Olhei em meu redor, como ninguém tinha visto,  gargalhei veementemente e fui à minha vida.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Carta ao Pai Natal

Gordo nojento e seboso, eu até não vou muito à bola contigo, mas já que vestes de vermelho e branco, e tudo, só te peço uma coisinha pequena neste Natal, mas quero que me a ofereças antecipadamente: quero uma vitória do meu Benfica daqui a pouco. Chega uma batatinha dentro das redes blaugranas. Que bata no cu do Nolito e entre, que o Pinto dê um frango, não quero saber. Que se faça história e o Benfica ganhe pela primeira vez em Nou Camp. Quero uma VITÓRIA, badocha de merda...

Ass. Juvenal

Conto de Natal

Corria o ano 1994 da Graça do Senhor, o frio de Dezembro fazia-se sentir nos ossos e articulações dos mais  velhos, tanto nos dos mais lúcidos como nos dos senis, que nisto da osteopatia provecta o estado mental não entra nas contas. O mesmo frio relembrava, também, antigas mazelas em joelhos e tornozelos mais novos, que nem por isso deixavam de ter a sua história.

Vinte dias tinham passado desde o início do mês, faltando, portanto, quatro para que a véspera de Natal chegasse. Evocando reminiscências do número da besta, o ponteiro das horas do relógio da cozinha estava junto ao 6, o dos minutos junto ao 6 se quedava, e o dos segundos pelo 6 passava, no exacto momento em que:

- Ali para os lados das Amoreiras, uma abelha picou a bochecha a um operário da construção civil. Surpreendido pela picada, o operário desequilibrou-se e caiu do andaime, desde o quarto andar do edifício para cuja reparação exterior contribuía;

- Na Avenida Almirante Reis, num autocarro repleto de passageiros, esperando que o semáforo passasse a verde, Carlos apalpou o rabo a um homem de cabelo comprido julgando tratar-se de uma mulher. Levou um soco que lhe apanhou irmãmente o lábio superior e o nariz, partindo-se a cana deste último;

- Numa moradia em Alvalade, naquela em que o relógio da cozinha marcava as 18h30m30s, um gordo qualquer, vestido de Pai Natal, ficou entalado na chaminé ao tentar descer pela mesma, num último ensaio para surpreender e entreter a sua prole, igualmente balofa,  na noite de 24 para 25.

Para além de terem ocorrido exactamente ao mesmo tempo, seria de esperar que houvesse mais algum ponto unificador entre estes três acontecimentos. Mas não: o trolha quinou; o acidental maricas passou o Natal com uma tala na penca, sem nunca ter explicado à família o que motivara aquilo; e o gordo teve de esperar três horas até que os bombeiros chegassem e lhe escavacassem a chaminé toda para o tirarem de lá.

De toda a história se extrai, normalmente, uma moral, porém desta extraem-se três: não trabalhes nas obras, não apalpes rabos em autocarros e não comas que nem um alarve, se queres descer chaminés no Natal.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

É Natal, é Natal...

Qual matéria viscosa e escorregadia, de aspecto gelatinoso, o tempo  tem-se-me escapado por entre os dedos, não tenho conseguido agarrá-lo como seria minha intenção primeira. Peço, por isso, imensa desculpa a quem me lê. Infelizmente não tenho a meretriz da vossa vida, que passam o dia sentados, cus colados às cadeiras e mãos coladas aos teclados . Eu trabalho no duro, conforme comprovam as minhas roupas suadas e as minhas mãos calejadas, e escusem-se, por favor, a piadas que associem os calos das minhas mãos a práticas onanistas. Talvez, na mão esquerda, um ou outro advenha daí, mas no cômputo geral advêm da labuta diária.


Eis-nos chegados ao início de Dezembro, e uma vez mais cá temos o Natal à porta, e com ele os pais natais de chocolate; os pais natais que dão colo a putos nos centros comerciais; os pais natais com problemas de identidade, que sobem edifícios armados em homens-aranha (se alguma vez pensaram em assaltar casas aqui têm uma ideia válida). Acredite-se ou não no Pai Natal, o que é certo é que as suas reproduções se deixam ver por aí amiúde. Uns mais balofos, outros menos, nesta época abundam por essa cidade fora que nem monhés no Martim Moniz, local em que se chegam a ver pais natais monhés, substituindo o habitual "Qué Frô?" por um "Qué Pinheiro?", mais adequado à época.




Em breve publicarei aqui um conto de Natal, mas um dos bons, não outra mariquice igual a tantas que para aí andam.